Saturday, July 23, 2016

Respingos da saudades



Penso em ti nas horas quietas
Quando respingos de saudades
Vem regar minhas lembranças
Tal como o orvalho suave da noite
Enquanto das recamaras do vento
A brisa guardada no tempo
Que um dia beijou tua face
Num momento de adeus
Traz de volta sua imagem
Soprando em minha memória 
Aquele verde pungente dos teus olhos
As curvas dos teus lábios
E tudo aquilo que representa 
O momento mais feliz ao seu lado

Despedida

Submerso na quietude da noite 
Trago na mente as tuas lembranças 
Saudades que sussurram teu nome
E tudo o que representa você
Enquanto bem longe numa rua desconhecida  
Ouço o ruído nostálgico de um automóvel  
Que lentamente vai rompendo o silencio 
Dando uma sensação de algo perdido
No meio de luzes que vão se apagando
Um rastro de poeira na escuridão
Fazendo lembrar uma despedida 
De dois olhares que abruptamente
Vão se separando sem palavras
Sem um aperto de mãos 
Sem beijo, sem um toque

  

Wednesday, July 20, 2016

MEMÓRIAS DO TREM

Uma das lembranças mais nostálgicas que sempre trago na memória, foram aquelas noites invernais de New Jersey, quando ja deitado em meu leito e submerso no silêncio,  adorava ouvir o ruído do trem do metrô, parando nas estações.Ele vinha de longe, todo místico e exuberante rompendo a noite  sobre aquelas complexas estruturas de ferro, margeadas de luzes ofuscadas  de neve. Aquele som, ecoando entre as golfadas de vento em meio a escuridão, era a minha música preferida. Seu rítmo cadenciado cheio de estrálos sincopados iam diminuindo lenta e calculadamente. Parecia a galopagem de uma manada de cavalos de aço rasgando a paisagem urbana transfigurada. Cada vez que isso acontecia, eu ficava como que hipnotizado, com a sensação única de não querer perder nenhuma cena. Os minutos de êxtase  não durariam mais que cinco minutos e meus sentidos então capturavam tudo o que havia de mágico, poético e triste. O balbucío do nevoeiro agitado, roçando as copas das árvores se misturando com vozes humanas, criavam então uma transferência  espaço temporal de presente e passado, de real e imaginário totalmente sincronizados. Era uma coisa fenomenal idílica, que me transportava simultaneamente para uma outra viagem. A viagem no passado. Lembranças etéreas subtraidas da coreografia abstrata de um tempo requintado de saudades. Saudades imortalizadas que esse fenomeno faz reviver!Celso Freitas 20-02-12  

Pensei em você

Hoje pensei em você
Simplesmente quando abri os olhos
Senti um vazio inexplicável
E ao mesmo tempo a lembrança
De uma coisa tão boa, tão linda
Tão cheia de vida e pensei
Naquela voz, naquela face
E aquele olhar, aquele sorriso
Pode crer, pensei em tudo
No que você estaria fazendo
Pensei em cada passo teu
Em que você estaria pensando
Achei que era bobagem
Sonhei acordado o dia inteiro
Imaginei se você  pensou em mim
No  mesmo instante 
Com a mesma intensidade
Senti tristeza e sufoquei
Sem poder controlar a fera
Da saudade que a tudo devora
Da lembrança que me apavora

Fragmento de vida

Meu pedaço de hoje
Meu fragmento de vida
Derramando sem remorso
Seus minutos de ouro
Nessa vala escorregadiça
Desse sofrer não programado
Que me faz escapar pelo dedos
Todo querer voraz
Toda audácia desvairada
Toda ilusão sentida



SUTIL FELICIDADE II



Inexplicável ou não 
Realidade ou devaneio  
O importante é que se diga
Que matar o tempo assim 
Pensando em você 
Invocar à lembrança
Sua beleza admirável
Continuamente, seguidamente
É digerir, é metabolizar
Esse obra abstrata feminina
Alimento estético do bem estar
Não me importo 
Se esses lânguidos momentos
Me roubam, me arrebatam
E juro por esse fatídico dilema
Que ver o tempo sumindo
Como os grãos de areia varridos
Pelos caracóis das ondas 
É sentir a fatalidade inocente
Daquele teu olhar místico 
Verde, pungente e lindo
Tão primeiro, tão real
Meu pedaço de felicidade

inimigo oculto

Nosso inimigo mora dentro de nos Multiplicado e potencializado Um tirano que detém o poder O lobo do nosso homem  Um manipulador ...