Uma das lembranças mais nostálgicas que sempre trago na memória, foram aquelas noites invernais de New Jersey, quando ja deitado em meu leito e submerso no silêncio, adorava ouvir o ruído do trem do metrô, parando nas estações.Ele vinha de longe, todo místico e exuberante rompendo a noite sobre aquelas complexas estruturas de ferro, margeadas de luzes ofuscadas de neve. Aquele som, ecoando entre as golfadas de vento em meio a escuridão, era a minha música preferida. Seu rítmo cadenciado cheio de estrálos sincopados iam diminuindo lenta e calculadamente. Parecia a galopagem de uma manada de cavalos de aço rasgando a paisagem urbana transfigurada. Cada vez que isso acontecia, eu ficava como que hipnotizado, com a sensação única de não querer perder nenhuma cena. Os minutos de êxtase não durariam mais que cinco minutos e meus sentidos então capturavam tudo o que havia de mágico, poético e triste. O balbucío do nevoeiro agitado, roçando as copas das árvores se misturando com vozes humanas, criavam então uma transferência espaço temporal de presente e passado, de real e imaginário totalmente sincronizados. Era uma coisa fenomenal idílica, que me transportava simultaneamente para uma outra viagem. A viagem no passado. Lembranças etéreas subtraidas da coreografia abstrata de um tempo requintado de saudades. Saudades imortalizadas que esse fenomeno faz reviver!Celso Freitas 20-02-12
Wednesday, July 20, 2016
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inimigo oculto
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